Álvaro: “O papel das entidades envolvidas, em especial a OAB-RJ, deve ser o de buscar o diálogo, de buscar soluções se colocando como mediadora entre os servidores, o TJ-RJ e o governo”

Leia a nota do SIndicato sobre a greve dos serventuários do estado:

O Sindicato dos Advogados do Estado do Rio de Janeiro deplora e repudia a postura do presidente da OAB-RJ, Felipe Santa Cruz, divulgada nesse final de semana na imprensa, de afirmar que entrará com uma medida judicial contra a greve dos servidores do estado, iniciada antes do recesso forense.

Tal postura, se efetivada, vai somente agravar a relação entre a advocacia e os servidores da justiça.

Acreditamos que a maioria avassaladora dos advogados militantes deseja a solução do problema e não o seu agravamento, como essa medida – antipática, midiática e flagrantemente autoritária – pretendida por Santa Cruz fatalmente trará.

Lembramos que o presidente do Sindicato, Álvaro Quintão, o vice-presidente da OABRJ, Ronaldo Cramer, e o presidente da Caarj, Marcello Oliveira, em outubro do ano passado, ante o anúncio de que os grevistas não expediriam os mandados de pagamento em uma retaliação às diatribes contra a greve feitas à época pelo presidente da seccional, tiveram a iniciativa de negociar com o Sindjustiça para que os serventuários não cessassem a expedição dos mandados, reconhecendo a sua natureza de verba alimentar e mantivessem funcionando, no mínimo, 30% do efetivo para atender medidas urgentes.

Naquela oportunidade os servidores foram sensíveis, e mesmo com alguns desencontros e problemas em algumas serventias, os mandados estão sendo expedidos e as medidas de urgência sendo realizadas.

Também à época, fizemos uma nota explicando a natureza do acordo com os serventuários – eis um trecho da nota: “A advocacia tem sua própria pauta. Demanda um Judiciário célere e justo, respeito dos magistrados, um sistema que simplifique nossa profissão e não dificulte seu exercício, entre outras reivindicações. Mas é equivocada a posição que, antes de qualquer tentativa de negociação, provoca ainda mais beligerância na relação entre categorias que convivem profissionalmente”.

Feita em outubro, aquela nota (que pode ser lida na íntegra aqui) continua atual.

O papel das entidades envolvidas, em especial a OAB-RJ, deve ser o de buscar o diálogo, de buscar soluções se colocando como mediadora entre os servidores, o Tribunal de Justiça e o governo do Estado.

Dessa forma, a OAB-RJ tem que rever seu posicionamento perante o movimento grevista dos servidores do TJ.

Reafirmamos que jogar os servidores contra os advogados irá apenas acirrar a relação entre as partes – e nós sabemos quem mais irá sofrer com isso: os próprios advogados.

Precisamos cobrar mais firmemente do TJ e do governo do Estado uma solução para o problema e não escolher o servidor como culpado, poupando o governo e o Tribunal.

Álvaro Quintão – presidente do Sindicato dos Advogados do Estado do Rio de Janeiro